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2017-07-18

Professor Marcuschi fala sobre oralidade e escrita

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2017-07-18

Nesta postagem, o professor Marcuschi fala sobre oralidade e escrita, onde poderemos perceber as principais dificuldades que encontramos quando tentamos conciliar elementos da oralidade –  principalmente prosórdicas – em uma transcrição de áudio.

Ouça o áudio e leia a transcrição parcial do brilhante trabalho que está no youtube.

Professor Marcuschi fala sobre oralidade e escrita

(…) ((corte)) [00:00:00] a [00:00:21]

Nesta parte dos estudos sobre a linguagem nós vamos ver algumas coisas a respeito da oralidade e da escrita.

Todos falam e alguns escrevem

Um fato ninguém pode esquecer, todos falam e alguns escrevem. Todos os povos dos quais nós temos conhecimento – e mesmo dos que não temos conhecimento – é muito provável, falavam, mas muito poucos escreveram.

Hoje em dia inclusive existem em torno de umas 4-5 mil línguas faladas no mundo. Destas, menos de 10 por cento têm escrita, uma escrita própria, uma literatura e uma tradição.

Nós, na língua portuguesa, temos uma bela tradição escrita. Mas, nem por isso deixamos de falar. Se nós fossemos fazer uma análise do nosso dia a dia desde que a gente acorda até quando vai dormir, provavelmente nós iriamos descobrir que mesmo os que mais letrados são, os que tem maior grupo de letramento, vão utilizar mais de 90 por cento falando e 10 por cento do tempo escrevendo.

Damos muita importância à escrita

No entanto, apesar de mesmo hoje numa sociedade como a nossa, em que a escrita entrou de forma tão violenta, mesmo assim nós continuamos falando bastante e damos uma importância enorme à escrita.Tanto é assim que hoje, se a gente vai observar para definir uma pessoa educada, a gente praticamente diz quando uma pessoa é escolarizada. Quem não escreve, quem não tem uma educação formal na escola e etc. não é uma pessoa educada nos dias de hoje.

Tanto assim que em muitos momentos da nossa vida nós ouvimos que um cidadão que não domina a escrita, é praticamente um cidadão de segunda categoria. Ou seja, a escrita tem uma grande importância, uma grande supremacia, um grande valor.

Fundamental é entender que a oralidade e a escrita não são concorrentes mas harmônicos

O que nós queremos fazer aqui é mostrar que isso é um equívoco. Tanto a oralidade como a escrita são fundamentais, são duas maneiras de as pessoas organizarem seus discursos, praticarem as suas interações no dia a dia, sem que uma seja mais importante do que a outra. Cada uma tem o seu lugar, são práticas discursivas que não concorrem, não competem, mas são complementares e são utilizadas harmonicamente no dia a dia.

(…) ((corte)) [00:02:51] a [00:03:03]

A escrita é uma novidade na História do Homem

Outro aspecto importante é que o ser humano existe há mais ou menos há um milhão de anos e sempre falou. A escrita existe no máximo há 5-6 mil anos. Quer dizer, a escrita é extremamente recente em todas as suas diversas formas de se manifestar.

(…)[00:03:18] a [00:04:18]

A multidimensionalidade da oralidade

Gostaria de fazer duas observações que me parecem bastante importantes, que são sistemáticas. Por exemplo, se nós colocamos uma pessoa falando, digamos, temos uma sala e todo mundo olhando para um lado. Bote uma pessoa lá atrás na sala e essa pessoa fala alguma coisa, conta uma pequena história. Ninguém viu quem era.

E eu pergunto: “era um homem ou uma mulher?” e todo mundo vai poder dizer se era um homem ou uma mulher.

Era jovem ou velha? Provavelmente vai dar para identificar se era um jovem ou um veio, até mais ou menos a faixa etária.

Pergunta: essa pessoa é muito escolarizada, ou não? Provavelmente daria para decidir isso.

E a gente pergunta: de onde mais ou menos veio? Será que ela é nordestina? Ela é gaúcha? É carioca, é paulista? As pessoas vão mais ou menos distinguir e provavelmente vão dizer de onde veio.

Pois bem. Sem ver a pessoa, sem conhecer a pessoa, só ouvindo, a gente pode dizer uma série de coisas sobre o indivíduo que está falando.

Agora, se nós tomarmos um texto que foi escrito por essa pessoa e eu faço essas perguntas, ninguém vai saber responder nenhuma dessas perguntas. Por que?

Porque quando se fala, muitas marcas da própria individualidade, do próprio indivíduo passam pela fala. Na escrita, já não. Então, a escrita é um pouco alguma coisa que se desgruda, sai do indivíduo. Por isso que se diz que ela tem um caráter um pouco de afastamento físico inclusive, de uma abstração maior sobre esse aspecto um afastamento físico. E a fala, não. Tem um caráter de envolvimento maior, de proximidade maior.

(…) ((corte)) [00:06:08]  a [00:06:14]

A confusão da contextualização na oralidade e na escrita

Muitas vezes os livros didáticos fazem uma tremenda confusão. Acham que a fala é contextualizada e a escrita é descontextualizada. Não é verdade. Tanto a fala é contextualizada como a escrita é contextualizada.

Precisamos de contexto para entender: contexto cognitivo, precisamos de uma série de contextos para poder entender quando lemos um texto escrito e podemos, precisamos também de uma série de contextos para entender o que as pessoas estão falando, conhecendo o que ela fala e quem ela fala e etc.

A situacionalidade da fala

Agora, o que acontece é que as pessoas estão confundindo aqui é a situacionalidade. O que a fala tem é um envolvimento situacional: eu posso apontar para uma cadeira, para uma coisa. “Essa cadeira, essa pessoa”… ao apontar com um dedo ou fazer um sinal e não dizer. Eu posso estar aqui falando com alguém me fazer assim.

Eu estou falando com alguém mas esse não é para alguém está acolá e quer me oferecer alguma coisa. E aqui faço assim, isso aqui é para o outro e eu estou falando com alguém aqui.

Essas coisas, eu não posso fazer na escrita.

(…)[00:07:25]  a [00:07:32]

Elementos simbólicos próprios e exclusivos da oralidade

A oralidade tem investimento de um grande conjunto de elementos simbólicos que não podem passar para a escrita. Por exemplo, a gestualidade, o tom de voz, a velocidade e a pausa. Posso elevar a voz, eu posso por exemplo dizer, assim, “eu gostei muitíssimo disso”. Mas eu posso dizer “eu gostei muito, muito, mas muito”, e eu repetindo muitas vezes o “muito”, parece que eu gostei muito mais do que dizer que gostei muitíssimo.

Bom, mas eu também posso elevar a voz, eu posso fazer outro tipo de entoação. Quando alguém xinga, a gente sabe pela maneira como ele xinga, etc.

(…) ((corte)) [00:08:14] a [00:08:58]

A questão da prosórdia

Uma série de outras coisas que nós fazemos que se chama prosórdia, todos esses elementos da prosórdia que constituem a maneira de falar, o sotaque, etc. não dá para por na escrita, porque a escrita opera com letras e etc.

Dá para por outras coisas na escrita. Posso por fotos, posso por uma série de coisas, mas esses elementos não passam.

O que é que significa isso? Significa que a fala é uma maneira de representação da língua e a escrita também é uma outra maneira de representação, uma representação gráfica e uma representação fônica, é o som e a gestualidade que conta, e também os movimentos do corpo, a entoação de voz, volume e uma série de outras coisas, e na escrita esses elementos não estão lá.

Então, nós podemos ter a situação e uma série de outros elementos na oralidade, e na escrita nós temos que fazer uso de outros recursos.

(…) ((corte)) [00:09:48] a [00:10:00]

A escrita não é uma representação da fala, mas uma forma de linguagem

Considerando esse aspecto de que nem tudo o que está na oralidade está na escrita e vice-versa também, nem tudo o que está lá na escrita eu não posso por na oralidade, não posso falar coloridamente, eu posso fazer letras coloridas, grandes, maiores. Eu não falo letras, eu falo palavras, eu tenho som, não é?

Então, o que é que vai acontecer? Acontece que a escrita não é uma representação da fala, e os livros didáticos vivem dizendo: “a escrita é uma representação da fala”.

Não. A escrita é uma representação da língua, assim como a fala é uma representação da língua. São duas formas de representar todo um sistema linguístico, são duas práticas discursivas e não uma representando a outra. Isso não é verdade.

Então, esse é um aspecto fundamental.

(…) ((corte)) [00:10:49] a [00:17:18]

Multimodalidade discursiva com o uso de imagens para exercitar a representação de uma mensagem

Uma criança, quando faz uma redação, ela pode por lá o nome da professora e dizer: “gosto muito de você”. Mas, ela pode desenhar um coração e botar o nome dentro do coração, e parece que gosta muito mais.

About the author:

Web aprendiz. Iniciou-se em 2012 na internet em busca de conhecimento. Desde então se encantou com transcrição de áudio.
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