O desemprego dos transcritores no Google

O desemprego dos transcritores no Google  traz nossa opinião  sobre o recente corte de transcritores do Google que firacam sem trabalho em uma época  tão  difícil.

O Google (ou a Google) até pelo menos recentemente,  foi uma das maiores empregadoras de transcritores do mundo. Ela transcrevia vários áudios de interações dos usuários com o seu sistema de comando de voz em seu navegador. Disso eu já suspeitava há muito tempo, mas no mês de julho o escândalo se instaurou.

O escândalo da transcrição de áudio

No mês de julho de 2019 o jornal espanhol El País publicou uma matéria afirmando que 0.2% dos comandos que o microfone do dispositivo Android captava em português e espanhol eram transcritos e submetidos a análise linguística. Isso causou indignação a parte do público que sentiu que havia sido enganado em relação aos termos de sigilo aceitos por usuários quando permitem que o navegador Chrome tenha acesso ao microfone do smartphone.

A reação da mídia foi negativa

A reação da mídia foi negativa, surgindo processos exigindo explicações da corporação no que tange ao respeito do sigilo dos dados dos usuários. Isso virou prato cheio para vários blogs noticiarem o que julgavam ser novidade, o que para este blog seria considerado normal e aceitável.

Temos acompanhado a evolução do reconhecimento de fala do Google

Temos recebido com entusiasmo e crescente surpresa cada evolução nesse sentido que a inteligência artificial vem oferecendo de facilidade e comodidade aos usuários Google, principalmente no que tange aos aspectos positivos de, por exemplo, envio de e-mails que são ditados no gmail.com que saem próximos à perfeição se ditados com calma.

Para nós, que não somos nativos digitais, digitar com os polegares tem se mostrado um processo lento e frustrante, muitas vezes.

Já ativando o microfone, a digitação por voz sai rapidamente.

Os benefícios são inegáveis e enormes.

Lamentamos a reação do público em geral

Todo mundo sabe que o Google mantém registro de navegação dos sites visitados pelos seus usuários, mesmo com o modo privado de exibição ativo.

Hoje em dia o sigilo, fazer coisas em segredo, tornou-se de certa forma impossível, primeiro devido à própria natureza da internet, que assim permite o rastreio de criminosos digitais, por exemplo. Outra inegável vantagem é que isso proporciona segurança aos usuários, embora o direito à privacidade seja às vezes desrespeitado não pelo Google, em quem confiamos, mas por hackers que, por exemplo, invadem celulares de autoridades dos poderes republicanos nacionais, causando até mesmo instabilidade no governo, revelando diálogos extraídos ilegalmente do Telegram.

As posturas éticas do Google, Apple e Facebook

Ontem (15/08/2019) noticiou-se que o Facebook estaria promovendo a transcrição de áudio dos diálogos de seus usuários, fato este que a empresa não negou. A própria Apple reconhece que – embora em suas campanhas de marketing diga que valoriza a privacidade – transcreve e analisa alguns áudios para poder aperfeiçoar o reconhecimento de fala do Siri.

Marcha em direção ao progresso

Esses são pequenos efeitos colaterais no processo de melhoria do sistema de reconhecimento de fala dos modernos sistemas computacionais de interação máquina-seres humanos. Existe um grande e benéfico efeito. Pessoas cegas ou com baixa visão se beneficiam muito com o reconhecimento de suas falas de forma correta pelos aplicativos.

A inteligência artificial veio para ficar e são estes novos tempos. Esses mecanismos de reconhecimento de fala e posterior capacidade de aprendizado das máquinas nos leva a novas fronteiras a serem exploradas.

Transcritores da Google estão desempregados

Nesse contexto se encontram sob fogo cruzado os transcritores que trabalhavam para o Google. Na verdade, para empresas terceirizadas do Google que contratavam freelancers para transcreverem áudios.

Não sabemos se foi um funcionário da terceirizada ou algum freelancer que vazou os áudios e as transcrições, ou se existe um motivo obscuro por trás de tudo isso.

O progresso exige alguns sacrifícios sobre a privacidade, afinal de contas hoje somos monitorados em todos os locais onde existem câmeras conectadas à internet, e potencialmente somos identificáveis por sistemas de segurança que podem ser invadidos.

Assim é o mundo contemporâneo e o desenvolvimento da informática que cada vez mais nos surpreende com a velocidade e com os tremendos impactos que causa em nossas vidas.

Mas o fato é que os transcritores do Google ficaram desempregados porque a informação vazou. Não sabemos por quem isso foi feito.

Conclusões

Frente a isso, qual atitude deveria tomar o Google, a Apple e redes sociais?

Uma possível linha de ação seria selecionar alguns usuários através de técnicas amostrais estatísticas, procurar entrar em contato com esses usuários e perguntar se eles aceitariam ter suas vidas monitoradas e seus áudios transcritos com a finalidade de contribuir para o desenvolvimento e aprimoramento desse fantástico mecanismo que é o reconhecimento de fala, mostrando os inegáveis benefícios à humanidade.

Tenho certeza de que muitos voluntários surgiriam e isso sairia infinitamente mais barato do que tomar atitudes que embora tenham boa intenção, podem em mãos erradas ser desastrosas para a imagem das grandes companhias.

O futuro dos transcritores

Não tenho dúvida de que o futuro da transcrição de áudio é que cada vez mais máquinas serão empregadas para a atividade e que muitos postos de trabalho serão perdidos.

Cabe aos transcritores humanos trabalharem para não se tornarem obsoletos. Eles devem se esforçar e criar um serviço diferenciado que talvez os clientes não desejem que o Google e outras companhias de transcrição de áudio automática tomem conhecimento disso, talvez o sigilo seja fundamental.

Recentemente tivemos o caso de clientes que não aceitam sequer enviar áudios por e-mail, mas sim nos entregar pessoalmente CDs e pendrives, com o pedido de garantia expressa de que essas mídias sejam devolvidas após concluído o serviço , que deveriam ser enviados pelo correio.

No mundo contemporâneo existe lugar para todos e a confiança entre as partes é fundamental.

E para que isso aconteça, transparência, ética e responsabilidade são os pilares da transcrição de áudio.