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Você está aqui: / Transcrições “Supernovas” explosão estelar
2016-04-14

Supernovas são originadas do colapso de estrelas como o sol (em sistemas binários, de dois sóis) ou estrelas que tenham mais de 1.4 vezes a massa de nosso sol. Gigantes como a Betelgeuse podem explodir a qualquer momento (nos próximos 100 mil anos, uma piscada de olho em escala de tempo geológico ou cósmico). Saiba mais sobre supernovas. Este post é interessantíssimo, pois as explosões originam os elementos químicos que compõem nosso corpo, como Ferro (no sangue), Ouro (obturação do dente), Sódio, Hidrogênio, Oxigênio, Carbono e Cálcio.

Supernovas.

No começo eram as trevas. E então, “bang”. Nasceu um sistema que se expande infinitamente feito de tempo, espaço e matéria. Agora vá mais longe do que jamais imaginou, além dos limites de nossa existência, a um lugar chamado o Universo.

Elas são assassinas cósmicas.

O fim das estrelas, a morte das estrelas.

Espetaculares detonações estelares.

Cem bilhões de vezes mais forte que o sol. Que por um instante ofuscam toda uma galáxia.

É o evento mais gigantesco do universo desde o big bang.

Dessa espetacular catástrofe cósmica emerge a criação, mas se uma ocorresse perto da Terra a vida no planeta cessaria. O Universo é o cenário cósmico para uma força violenta e misteriosa, a supernova.

O universo, supernovas. [00:01:16]

A supernova, a extraordinária morte das estrelas, produz as maiores explosões do universo.

Apenas uma pequena minoria das estrelas explodem, mas quando acontece fazem “cabum” e explodem em mil pedaços.

Liberam mais energia do que o sol em toda a sua existência, em mais de um bilhão de vezes.

A espetacular explosão lança vastas quantidades de radiação letal no universo.

Se uma estrela no centro do sistema planetário explodir, extinguirá todas as formas de vida nesse sistema planetário. A radiação esterilizaria todas as formas de vida em qualquer planeta do sistema.

Procurando buracos cósmicos. [00:02:13]

Como detetives procurando pistas de um crime cósmico, os cientistas usam instrumentos, telescópios e tecnologia avançada para encontrar supernovas e resolver o mistério de como e por que ocorrem.

É muito interessante porque a explosão na verdade já ocorreu. Então, nós conseguimos pistas com os telescópios e tentamos entender o que aconteceu.

Os investigadores estelares sabem que as supernovas têm dupla personalidade. Seu poder de destruição é absoluto e ao mesmo tempo são essenciais para criação.

Ao explodir, uma supernova produz muita luz mas também gera elementos pesados além dos leves. Por exemplo o ferro, o cálcio ou o sódio, ou qualquer dos elementos da tabela periódica vieram de estrelas que explodiram antes da formação do sol.

Esses elementos produzidos nas enormes explosões estelares compõem planetas, plantas e pessoas.

O cálcio nos seus ossos e o oxigênio que você respira são preparados nas estrelas e lançados no espaço. As ondas de choque das estrelas que explodem comprimem nuvens de gás próximas e levam ao seu colapso gravitacional. Depois elas recomeçam o processo de formação de novas estrelas, de planetas e da vida.

Uma supernova por segundo. [00:04:05]

Graças a evidências cósmicas os cientistas calculam que a cada segundo uma supernova explode em algum lugar do universo.

Então, são por volta de 30 milhões por ano e isso tem ocorrido nos últimos 10 bilhões de anos de existência do universo.

Para dar uma ideia do tamanho do universo, em uma galáxia típica como a Via Láctea, uma supernova ocorre apenas uma vez ou duas vezes por século. No entanto, ninguém sabe quando a próxima acontecerá.

É um processo totalmente aleatório e não sabemos quando o próximo ocorrerá. Pode ser amanhã, a 5 minutos ou daqui a cem anos. Não sabemos.

Se for muito perto veremos um evento muito brilhante no céu, talvez até mais brilhante que Vênus, outros planetas e a Lua e talvez até mais que o Sol.

Se uma supernova se aproximar demais da Terra pode destruir a vida, o clarão perturbará a atmosfera e queimará tudo.

Duas estrelas próximas podem explodir. [00:05:20]

Os astrônomos estão sempre vigiando o céu atentos para duas estrelas da Via Láctea que têm o potencial de explodir de modo catastrófico perto da Terra. Uma delas fica no centro da Nebulosa Eta Karinae, a 9000 anos-luz de distância.

Eta Karinae é uma delas, é uma estrela muito grande com talvez até 100 vezes a massa do sol. Tem uma vida muito curta e pode ser que o seu fim ocorra em algum momento muito em breve.

Outra estrela que pode se tornar uma supernova é a Betelgeuse, da Constelação de Órion. Essa efervescente estrela tem 15 vezes o tamanho do sol e está mais perto da Terra do que Eta Karinae.

Está a 500 anos luz de distância, então será um espetáculo deslumbrante visível mesmo de dia.

Não há dúvida que Betelgeuse vai explodir, pode ser hoje ou daqui a dez mil anos. O que é pouco em termos astronômicos, mas pode ser hoje. Então vale a pena olhar todas as noites, pois vai explodir.

Consequências da explosão estelar.

Essas enormes explosões, além de destruir e criar estrelas, planetas e pessoas, também podem liberar uma tremenda energia na forma de raios cósmicos. E essas partículas de energia altamente carregadas atingem nosso planeta todos os dias, e têm até mesmo a capacidade de alterar a evolução.

Nós vivemos em uma ecologia galáctica perturbada. A nossa galáxia é muito enérgica e eruptiva. Nosso planeta será atingido por essa matéria.

Segundo especialistas, os raios podem mudar as formas de vida.

Nós sabemos que mutações genéticas ocorrem quando raios cósmicos atingem seres vivos, pois interferem com o DNA das células. Se ocorresse uma supernova perto da Terra, receberemos cem, mil ou um milhão de vezes mais raios cósmicos do que normalmente. Espécies antigas podem se extinguir, mas outras novas podem se desenvolver. Então, a supernova pode ser um agente de mudança para o bem ou para o mal.

Saber que as supernovas têm o poder de criar e alterar a vida, torna imperativo que a humanidade desvende o mistério dessas bombas-relógio estelares.

– O que temos aqui?

– Bom, é uma supernova. Está vendo? É uma supernova.

A chave para resolver o mistério é a análise detalhada do material lançado no cosmos pela supernova.

– Ainda bem que essa não passou despercebida porque é uma supernova bem grande.

A natureza nos apresenta um enigma ao produzir esses objetos, e nós temos que descobrir como ela os produz.

As evidências de supernovas. [00:08:37]

Como em qualquer cena do crime, pistas costumam ser deixadas no local, como um tiro de revólver, gases quentes e escombros são lançados no espaço por essas mortais explosões solares.

Esses tiros produzem uma onda de choque. Podemos ouvir o seu barulho. Na verdade é matéria comprimida e aquecida e a onda de choque da supernova faz o mesmo.

Esses estilhaços são lançadas no espaço velozmente e colidem com o material ao redor formando uma onda de choque.

A fantástica detonação estelar da supernova lança uma vasta quantidade de fragmentos e escombros no universo.

Os resíduos que são produzidos enquanto a onda de choque avança pelo universo cria uma imagem pitoresca do choque se deslocando.

Os gases que compõem a estrela são ejetados a uma velocidade tremenda de 15 mil quilômetros por segundo, criando uma concha que se expande e que finalmente se torna muito grande.

E isso se desenrola por milhares de anos ou dezenas de milhares de anos, e às vezes avistamos uma supernova dezenas de milhares de anos depois que o evento ocorreu.

A colisão de escombros estelares na onda de choque produz luz e calor intensos em comprimentos de onda invisíveis ao olho humano. Variam de raios infravermelhos até raio-x e raios gama. Felizmente para os astrônomos instrumentos sofisticados como os telescópios Hubble, Spitzer, e o observatório de raios-x Chandra ajudam os detetives cósmicos a vê-los.

Basicamente cada instrumento nos dá uma perspectiva um pouco diferente do que está acontecendo, e depois tentamos unir todas as informações.

Tal como uma impressão digital, cada supernova tem um padrão único, e podem ser analisadas de vários modos diferentes.

Análise de supernovas. [00:11:01]

Nós podemos medir o brilho de uma supernova, o que chamamos a curva de luz. Outra coisa muito útil que podemos medir é o chamado espectro. Captamos a luz de uma supernova pelo telescópio, transformamos em um pequeno arco-íris usando um prisma e medimos quanta luz há em cada cor ou comprimento de onda.

A análise dessa linha pode revelar muitas coisas, como a composição química da supernova, a temperatura, a pressão e a densidade dos gases, com que rapidez se expandem e etc.

As informações extraídas da curva de luz e do espectro revelam diferenças entre cada supernova.

Parece um trabalho de detetive em que obtemos pistas diferentes da curva de luz ou do espectro, e tentamos descobrir que tipo de estrela era, o que a fez explodir, quais foram os produtos da explosão e quais os efeitos dessa explosão.

Com o passar do tempo, nós sabemos cada vez mais como era a estrela. Nós podemos de fato obter a composição da estrela no momento exato da explosão.

Ao comparar as curvas de luz e os espectros de literalmente centenas de supernovas, os cientistas conseguiram classifica-las em dois tipos principais.

Tipos de supernovas. [00:12:29]

O tipo 1A não libera nenhum hidrogênio, as explosões são uniformes em tamanho e luminosidade. As supernovas de tipo 2 liberam grandes quantidades de hidrogênio, as explosões variam muito em tamanho e luminosidade. Mas por que existem tipos tão distintos de supernovas? Será que explodem de maneiras diferentes? Os cientistas se dedicaram a responder uma pergunta crucial, o que leva as colossais estrelas a se destruírem?

O universo, supernovas. [00:13:24]

Como caçadores de recompensas à procura de bandidos, os astrônomos varrem o cosmos em busca das mortais supernovas. Com os olhos atentos voltados para o céu, eles pertencem a uma longa linhagem de observadores. De fato, uma supernova foi vista pela primeira vez na China há dois mil anos, em 185 depois de Cristo.

Os astrônomos chineses deixaram registros detalhados do que viram no céu, especialmente quando algo novo aparecia. Registravam a intensidade do brilho, onde estava e durante quanto tempo. Usando os registros chineses, os cientistas encontraram recentemente os vestígios de uma antiga supernova identificada como RCW86. Ficava na constelação de Centauro perto de duas estrelas conhecidas como alfa e beta centauro. Mil e quatrocentos anos após a descoberta chinesa, o primeiro observador europeu encontrou uma supernova. Em 11 de novembro de 1572, o astrônomo dinamarquês de 26 anos, Ticho Brahe dava um passeio quando viu um espantoso fenômeno estelar no céu, bem ao lado do W desenhado pelas estrelas mais brilhantes da constelação de Cassiopeia.

Mesmo tendo visto e mesmo sendo o principal astrônomo da época, ele não acreditou nos seus próprios olhos.

Poucos anos depois da descoberta de Ticho seu ex-aluno Johannes Kepler também observou uma supernova. Ele mediu a distância de uma estrela à outra ao redor, e hoje nós usamos a medida para recriar exatamente o local onde ela explodiu.

Quando os cientistas contemporâneos examinaram a descoberta que Kepler fez em 1604, notaram algo muito estranho. Uma análise da composição química dos gases ejetados e em expansão indicou que duas estrelas se uniram e produziram uma explosão gigantesca. Como essa união causou uma catástrofe estelar?

Muitas estrelas estão em sistema binário e tem uma parceira orbitando ao seu redor, e nós achamos que uma estrela empresta massa à outra.

Os cientistas depois descobriram que o sistema binário é o que caracteriza supernovas de tipo 1A. Achamos que as supernovas de tipo 1A são explosões de anãs brancas. Uma estrela como o sol produz uma pequena massa densa do tamanho da Terra.

Quando morrem estrelas como o sol ejetam as suas camadas externas e deixam apenas um pequeno núcleo denso chamado anã branca.

Supernovas Tipo 1A – anã branca. [00:16:39]

As cinzas do sol podem se tornar uma anã branca de carbono e oxigênio. Se deixada sozinha, ela pode durar para sempre e esfriará.

Mas quando uma estrela tem uma parceira, como uma cúmplice em um crime, pode causar uma catástrofe. A estrela injeta a massa na anã branca, leva essa massa até o ponto em que se torna instável, e então o centro queima. E rapidamente a estrela passa de uma monótona anã branca para uma extremamente violenta e brilhante supernova.

Mas por que algumas anãs brancas explodem de modo catastrófico? Isso foi descoberto em 1930 por um jovem e brilhante astrofísico, Sobrahahan Chadranseka, o Sherlock Holmes da astrofísica em uma viagem de navio da Índia à Inglaterra.

Durante a viagem ele usou os campos recentemente descobertas da física quântica e da relatividade especial para teorizar que as anãs brancas podiam ter apenas um limite máximo de massa. Sua massa pode ser no máximo 40 por cento superior à do sol, ou 1.4 vezes a massa solar, o que ficou conhecido como o limite de Chandraseka. Depois disso sua incontrolável cadeia de reações nucleares tinha início.

Mas, durante décadas, os cientistas não conseguiram entender como essa explosiva reação em cadeia acontecia e qual era seu aspecto. Os modelos computacionais não recriavam o que parecia acontecer na Natureza. Mas, em 2006, astrofísicos do prestigioso Flash Center, da Universidade de Chicago, decifraram o código. A equipe de Chicago foi a primeira a criar um programa computacional capaz de processar essa vasta quantidade de dados e simular a complicada dinâmica envolvida na explosão de uma estrela.

Chamamos isso de computação estrela. Alguns dos nossos computadores tem 128 mil processadores. Sendo assim, são 128.000 computadores interligados.

Mesmo com toda essa potência, os computadores demoraram quase 60 mil horas para fazer a simulação. Os astrofísicos decidiram não começá-la no centro da estrela.

Nós decidimos começar levemente fora do centro, em vez de no centro, porque era altamente improvável de a chama se acendesse exatamente no centro, ou muito perto dele, onde não há volume suficiente.

Conforme essa notável simulação, em um segundo uma bolha de chamas se forma dentro da estrela.

Então, bem no meio da estrela nós vemos uma bolha subindo rapidamente crescendo, se expandindo enquanto arde, irrompendo a superfície da estrela.

A bolha mede inicialmente cerca de 15 quilômetros de diâmetro e sobe quase 2 mil quilômetros até a superfície da estrela.

Ela se espalha sobre a estrela a cerca de 5 mil quilômetros por segundo e colide com o local oposto da superfície da estrela. Então, ela produz jatos extremamente fortes. Um deles projeta-se a cerca de 65 mil quilômetros por segundo, outro se volta para dentro da estrela e provoca uma onda de explosão que a atravessa.

Temperaturas tórridas ilustradas com uma escala de cores chegam a inconcebíveis um bilhão e 600 graus centígrados.

Podemos ver que para detonar e atravessar a estrela demora menos de meio segundo. Todo o processo leva menos de 3 segundos.

A análise dos especialistas revelou que as supernovas de tipo 1A são muito semelhantes em tamanho e brilho.

Essa explosão equivale a detonar completamente uma estrela com a massa do sol.

A pioneira simulação ilustrou pela primeira vez como as explosões podem ocorrer numa supernova do tipo 1A.

Supernovas Tipo 2. [00:21:39]

Mas, a de tipo 2 parecia ser radicalmente diferente. Ao examinar fragmentos estelares, os cientistas descobriram que as supernovas de tipo 2 não resultam da explosão de anãs brancas, mas sim, da morte explosiva de estrelas gigantescas, pelo menos dez vezes maiores que o sol. Mas como essas megaexplosões acontecem? A resposta para esse enigma cósmico surgiria em meados do século 20, quando os investigadores de supernovas, pela primeira vez na história, percorreram sistematicamente as estradas intergalácticas buscando explosões de estrelas colossais.

O universo, supernovas. [00:22:23]

Como detetives numa emboscada, investigadores cósmicos vigiam constantemente o céu noturno em busca das reveladoras luzes que sinalizam uma supernova. Para essa inspeção, eles contam com uma série de impressionantes telescópios espalhados por todo o Globo.

As supernovas foram descobertas por telescópios na Terra que varrem o céu constantemente procurando por supernovas.

E essa caçada cósmica começou na década de 30. O astrofísico Fritz Zwiki liderou a investida. Ele foi o primeiro a procurar, catalogar e quantificar novas estrelas em explosão.

Ele foi um verdadeiro pioneiro na descoberta de supernovas e quis entender como elas eram fisicamente.

O pioneiro astrofísico sugeriu que esses enormes e espetaculares eventos estelares resultavam da explosão de estrelas inteiras.

Zwiki previu que um certo tipo de supernova pode ocorrer quando o centro de uma estrela colapsa e depois emerge criando uma explosão colossal. Durante o colapso um vestígio compacto se forma, uma bola ou uma estrela de nêutrons.

Essencialmente a matéria é feita de prótons, nêutrons e elétrons. No colapso de um núcleo de ferro os prótons e os elétrons que compõem os átomos de ferro se combinam e formam os nêutrons.

A estrela de nêutrons é um objeto extremamente denso. Se você pegasse o Empire State Building em Nova York e o comprimisse até a densidade de uma estrela de nêutrons, ele ficaria do tamanho de uma bola de gude.

Elas têm uma densidade muito alta, uma colher de chá de material de uma estrela de nêutrons pesaria um bilhão de toneladas na Terra.

Hoje os cientistas acreditam que apenas estrelas imensas, com pelo menos 10 vezes a massa do sol, têm potencial de gerar esse tipo de explosão com colapso do núcleo.

A grande estrela gera energia fundindo hidrogênio com hélio. Pode fundir hélio com carbono e oxigênio e continuar a produzir ferro. O ferro tem o núcleo mais coeso, então, quando produz ferro, a estrela está no final da linha. Ela está pronta para um desastre.

O núcleo de ferro se forma no final da vida da estrela.

Então se torna tão imensa que essencialmente colapsa com o seu próprio peso, sofre um colapso gravitacional muito rápido.

Leva menos de um segundo para o núcleo da estrela encolher, passando de algo do tamanho da Terra para uma estrela de nêutrons com 20 quilômetros de diâmetro.

Mas esse denso núcleo de ferro não se acomoda tranquilamente à sua nova vida como estrela de nêutrons.

Mas, em vez de chegar a um equilíbrio imediato, as estrelas de nêutrons começam a saltar sobre si mesmas, assim como um ginasta salta na rede e sobe de novo. Essa estrela de nêutrons, ao saltar, colide com o material ao seu redor e transmite parte de sua energia a esse material, iniciando uma expulsão.

Mas, ao contrário de um ginasta, para quem a gravidade prevalece puxando-o de volta para a Terra, no caso do colapso do núcleo, algo continua a impelir o movimento para fora. Mas, o que era essa misteriosa força que empurrava a explosão para o espaço? Os cientistas calcularam que para uma explosão ocorrer era necessário mais um ingrediente, os chamados neutrinos, enigmáticas partículas carregadas de energia, que haviam sido previstas, mas nunca observadas. Os astrofísicos achavam que durante o colapso do núcleo os elétrons eram empurrados para tão perto dos prótons, no centro dos átomos, que se uniram, tornando-se nêutrons. Nesse processo liberavam partículas pequenas e misteriosas, os neutrinos.

Os neutrinos são partículas interessantes. Eles não possuem carga elétrica e portanto não interagem com a luz. Só interagem através da chamada “força fraca”. O nome é bem adequado porque essas partículas podem atravessar a Terra, atravessam grandes porções de matéria e, portanto, elas são como fantasmas.

Durante séculos, os astrônomos modernos estudaram os vestígios de supernovas em galáxias distantes num passado remoto. Mas, em 1987 eles conseguiram assistir a uma explosão ao vivo.

Foi a supernova mais brilhante em quase quatro séculos, muito depois do aparecimento do telescópio. Pudemos usar todo o nosso arsenal para estudar aquela fantástica explosão.

O universo, supernovas. [00:28:20]

Em 1987 ocorreu o evento estelar mais sensacional próximo a nossa galáxia desde a invenção do telescópio. O primeiro a vê-lo foi o jovem astrônomo chileno Oscar Duhaldi. O grande evento astronômico se deu na noite de 23 de fevereiro de 1987.

O operador do telescópio no Observatório de las Campanas, Oscar Duhaldi, colocou água um dia para fazer o café e saiu para dar uma olhada no céu. Ele saiu e olhou para a Grande Nuvem de Magalhães, que ele conhecia muito bem, e notou que havia uma estrela a mais.

Ele descobriu a supernova simplesmente saindo do observatório e vendo-a com os próprios olhos.

Quando uma supernova ocorre, os astrofísicos, como investigadores procurando pistas de um crime, sabem que as primeiras horas após a morte da estrela são as mais cruciais. Então, em 1987, quando a supernova mais próxima em quase 400 anos ocorreu, eles sabiam que tinham de agir rápido.

E estava a apenas 170 mil anos-luz de distância, muito perto em termos astronômicos. A supernova de 1987A estava numa pequena galáxia chamada Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia anã que orbita em torno da Via Láctea, que é bem maior.

Por ser a primeira supernova daquele ano, a excepcional e próxima estrela foi chamada simplesmente de SN1987A. Mas, dessa vez, dezenas de astrônomos em todo o planeta estavam prontos para agir. Armados com telescópios sofisticados, voltaram os olhos e os instrumentos para o céu, e observaram atentamente a supernova 1987A. Sabendo que uma estrela em explosão está no ponto mais quente nas primeiras horas e emite luz em comprimentos de onda ultravioleta, os detetives astrais não perderam tempo.

Na hora da explosão vimos os materiais mais rápidos. Vinham em nossa direção a um décimo da velocidade da luz, e era mesmo uma estrela explodindo.

Depois da explosão, os cientistas queriam saber o nome da vítima. Consultaram um catálogo com todas as estrelas conhecidas e sua posição no céu, e encontraram o que buscavam. A estrela que procuravam estava listada como SK69-2-0-2. Eles também descobriram que era uma estrela imensa com 20 vezes a massa do sol. Examinando as evidências espectrais, os cientistas viram longas linhas de hidrogênio. A SN1987A tinha as características de uma supernova do tipo 2 com colapso do núcleo. Mas, para confirmar suas suspeitas e provar a teoria do colapso, os cientistas precisavam de mais uma evidência, os neutrinos, as partículas misteriosas que segundo os cientistas, seriam liberadas durante a explosão.

Na década de 80 os cientistas construíram alguns detectores de neutrinos, que consistiam de tanques subterrâneos cheios de toneladas de água pura, mas ainda não haviam captado nenhum neutrino de uma supernova.

Tínhamos essa teoria há muito tempo, de que a maioria da energia gerada por uma supernova pelo colapso do núcleo dela transformava-se em neutrinos, mas nunca tínhamos visto os neutrinos.

Mas quis a sorte que em 23 de fevereiro de 1987 eles vissem os neutrinos. Os detectores, um sobre a cidade de Kamika, no Japão, e outro sobre o lago Iwie, em Ohio, captaram uma dúzia das fugidias partículas.

Detectores de luz nesse volume de água foram usados para ver o pequeno flash causado pelo neutrino interagindo com a matéria dentro do tanque.

Pela primeira vez cientistas na Terra viram evidências tangíveis dos neutrinos, as misteriosas partículas geradas no centro de uma supernova. Agora os astrônomos sabiam que as teorias propostas desde a década de 30 estavam corretas.

A supernova 1987A mostrou sem sombra de dúvida que o núcleo de ferro maciço da enorme estrela colapsava e formava uma estrela de nêutrons, porque nesse processo, muitos neutrinos eram emitidos.

Com instalação de telescópios em bases espaciais, os astrônomos ampliaram as notáveis descobertas feitas graças à supernova 1987A. Em 2006, o astrônomo Robert Quimby, aos 30 anos, mais uma vez desafiou as ideias estabelecidas e revolucionou a busca pela supernovas.

Os pesquisadores tentam encontrar o máximo de supernovas e procuram uma vez por semana, ou a cada duas semanas para encontrá-las, e poder estudar o máximo de campos e estudar supernovas. Eu decidi usar um número limitado de campos, mas estudá-los frequentemente.

E esse diligente investigador cósmico programou um telescópio robótico para varrer sistematicamente o campo-alvo todas as noites. Como um farol interestelar, percorreu metodicamente o mesmo recanto escuro do cosmos em busca de supernovas.

Tem um software que processa os dados rapidamente, e diz que algo lá que não havia antes. E se eu achar que pode ser uma supernova, eu obtenho seu espectro. Esse espectro dirá exatamente o que é, se é uma supernova mesmo, e qual o seu tipo.

Em 18 de setembro de 2006 Quimby teve êxito, encontrou a supernova mais brilhante jamais vista.

Foi a minha primeira supernova e isso já era muita sorte. Outros começaram a examinar os espectros e fazer suas próprias medidas de fotometria, e descobriram que a 2006GY era mais brilhante do que qualquer supernova já relatada.

Foi muito lenta, demorou 70 dias para chegar à luz máxima e depois apagou. Então uma supernova como nunca tínhamos visto foi descoberta por esse estudante de pós-graduação da Universidade do Texas.

A análise dos resíduos indicou que a estrela antes de explodir era 100 vezes maior que o Sol. E como o seu espectro revelava muito hidrogênio, a supernova mais brilhante já registrada era um evento do tipo 2. Então, Quimby se superou. Ao analisar uma supernova aparentemente insignificante, que encontraram antes, a SN2005AP, fez uma descoberta espantosa.

Era cerca de 100 bilhões de vezes mais brilhantes do que o sol, uma supernova do tipo 1A é apenas 6 bilhões de vezes mais brilhantes que o sol.

Era mais brilhante até mesmo que a SN2006GY.

Como se fossem evidências de um crime as descobertas de mais estrelas que explodiram como a 2005AP e outras, abriram novos caminhos de investigação para fenômenos como as supernovas.

Nós achamos que estão ligadas às explosões de raios gama.

Os raios gama. [00:37:28]

Os raios gama são a forma de luz mais poderosa do universo. Ao examinar as supernovas, os cientistas estão chegando perto de resolver alguns dos maiores enigmas do cosmos.

Como algumas produzem raios gama e outras criam uma supernova, continua um dos maiores mistérios, ninguém sabe a resposta. Mas o que os astrônomos sabem é que as supernovas e as explosões de raios gama associadas a elas são as luzes mais brilhantes do universo. Nas estradas do cosmos, as supernovas servem de placas galácticas indicando aos astrônomos o começo e o fim do tempo e espaço.

O Universo, supernovas. [00:38:22]

O potente satélite Swift da Nasa, lançado em 2004, tem como fim varrer o espaço em busca de explosões de raios gama no universo. Como policiais cósmicos, os astrofísicos do centro especial Godard da Nasa, em Baltimore, Maryland, estão a postos 24 horas por dia à espera de um chamado do Swift.

Menos de dois minutos depois que o Swift descobre uma explosão de raios gama, os satélites mandam um e-mail diretamente para nós.

Quando a supernova SM2006AJ surgiu recentemente, o satélite Swift captou os raios gama que os gerou.

Essa explosão de raios gama foi muito interessante. Primeiro, porque durou bastante. Geralmente as explosões de raios gama são muito curtas, duram apenas segundos ou frações de segundos. Mas, essa explosão foi visível durante 35 minutos e 3 dias depois vimos uma supernova explodir no mesmo local. E isso resolveu um dos mistérios das explosões de raios gama porque sabemos que pelo menos parte dessas explosões devem-se à explosão de grandes estrelas.

Hoje, os astrônomos podem ver centenas de supernovas e as explosões de raios gama que produzem. Nas rodovias cósmicas, os cientistas usam esses faróis estelares para determinar as fronteiras do universo.

Podemos usar supernovas para examinar o universo, porque se estiverem fracas é porque estão muito distantes e podemos estudar as curvaturas do espaço e o tempo e o cosmos através delas.

Por exemplo se você está numa estrada deserta olhando os faróis dos carros, sabe quais estão próximos e quais estão distantes pela intensidade das luzes. Os que estão perto parecem fortes que as que estão longe, fracas.

E medindo sistematicamente as distâncias dos objetos, sabemos o tamanho, a idade, a forma, a história e o futuro do Universo.

E as supernovas do tipo 1A são as mais adequadas para esse propósito.

Um aspecto interessante das supernovas do tipo 1A, as anãs brancas que explodem, é que existe uma massa fixa que determina o tamanho da explosão, e quanta matéria estará envolvida. A consequência é que muitas delas exibem quase o mesmo brilho. Se a explosão produza a mesma quantidade de luz, podemos medir essa luz que vemos e calcular a distância da supernova.

Método da vela-padrão. [00:41:20]

É o método da vela-padrão.

As supernovas do tipo 1A são como velas-padrão, todas têm a mesma potência máxima, a mesma luminosidade. Se olhamos para elas a distâncias diferentes, elas parecem ter brilho diferente. Parecem mais fracas quando estão distantes e fortes quando estão mais. Então encontramos supernovas 1A em galáxias distantes, medimos seu brilho aparente e o comparamos com a energia da supernova do tipo 1A mais próxima para determinar a distância da outra supernova e da galáxia em que está localizada.

Essa técnica pioneira também levou os investigadores a conclusões radicais.

Nós podemos usar as distâncias das supernovas para descobrir o que o universo está fazendo, qual é a sua idade, sabemos a partir de várias evidências que tem um pouco menos de 14 bilhões de anos. Mas descobrimos que o universo está acelerando, quando pensávamos que estava desacelerando sob a ação dos materiais gravitacionais. Isso causou uma revolução intelectual. É como jogar uma bola para o teto, e em vez de voltar para baixo, vê-la subir cada vez mais rápido para o teto. É totalmente antiintuitivo.

Todos os livros de astronomia diziam que o universo estava desacelerando, a gravidade devia estar retardando o ritmo de expansão. Mas o resultado mostrou que em vez de desacelerar, estava se expandindo cada vez mais rápido.

O estudo das supernovas ajudou os cientistas a desvendaram muitos mistérios cósmicos, e os especialistas acham que se continuarem a seguir as pistas deixadas pelas explosões estelares, poderão responder às maiores perguntas sobre o universo. Hoje, os cientistas sabem que em breve todos poderemos testemunhar a maravilhosa e formidável força de uma supernova.

A nossa galáxia tem cerca de 1000 anos-luz de diâmetro. Então, a luz de mil supernovas está vindo em nossa direção.

E pode acontecer na própria Via Láctea.

Esperamos ter uma média de duas explosões de supernovas por século em nossa galáxia. Mas, a última supernova que vimos na galáxia ocorreu há 400 anos. Está para acontecer logo.

Se acontecer em nossa galáxia, nós como os gigantes da astronomia Ticho, Kepler, Chatranseka e Swiki, testemunharemos a força mais destrutiva, mas também mais criativa do universo, a supernova.

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Web aprendiz. Iniciou-se em 2012 na internet em busca de conhecimento. Desde então se encantou com transcrição de áudio.
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