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2016-10-10

Psicoterapia e transcrição de áudio

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2016-10-10
Psicoterapia e transcrição de áudio

Outro dia recebi a incumbência de transcrever uma aula de psicologia. Tratava-se de aula sobre Jacques Lacan e sua contribuição à psicologia através de seus Seminários, a significância e o significado das palavras e a difícil arte da psicologia de lidar com o discurso oculto do outro por trás da expressão verbal do paciente que está no divã, no consultório, em psicoterapia ou tratamento psicológico.

Transcrição de sessão de psicoterapia

Outro dia fiquei observando e analisando o anúncio pago de diversas empresas de transcrição de áudio no Google (aquela parte de anúncios pagos), onde se lia palavras-chave como “transcrição de ata de reunião”, “transcrição acadêmica”, “transcrição jurídica”, entre outros. E uma me chamou atenção há tempos, “transcrição de sessão de psicoterapia”.

Será que o transcritor de sessão de psicoterapia daquele anúncio sabe a importância de seu papel e de sua responsabilidade?

Justamente essa aula foi esclarecedora para mim, pois entendi que uma transcrição, por mais perfeita que esteja da fala do sujeito, ela é um instrumento insuficiente para análise psicoterápica se utilizada fora do contexto, pois o trabalho do psicólogo é entender não o que foi dito explicitamente na sessão de psicoterapia, mas o que está por trás de um discurso, onde se procura uma espécie de verbo oculto que remete à causa-raiz de determinado distúrbio emocional, enquanto o transcritor deve limitar-se ao verbo nu e cru.

Os tipos de verbo que identifiquei

Em livre entendimento daquela aula, interpretei que existem vontades reveladas em verbos de ação que estão ocultos no discurso de uma pessoa. Esse verbo oculto é o que não é expresso e o verbo que precisa ser interpretado pelo psicólogo, então um papel muito diferente do trabalho de um transcritor, que deve compreender o verbo e as palavras. O psicólogo deve reconhecer as intenções da palavra não dita, portanto que nem sempre significam aquilo que está sendo dito, há algo oculto que quer ser revelado aos que entendem os mecanismos de expressão do subconsciente.

Não sei se estou pensando bobagem, mas o cartesiano “sim” ou “não” pode esconder uma intenção que precisa ser revelada e que está além do simples dizer, isso para que se apresente a solução para alguma causa profunda que envolva uma expressão de algo que não quer ser revelado pelo paciente, mas que está interferindo em certos mecanismos de bloqueio.

A função do transcritor

Nossa função enquanto transcritor é captar o som de uma fala e tentar colocar em termos escritos o que está sendo dito pelo falante, ou pelo menos o que está sendo interpretado pela nossa mente como algo que está sendo ouvido e faz determinado sentido para nós.

Talvez, tendo isso em mente, a transcrição literal seja a mais adequada para a transcrição de uma sessão de psicoterapia.

Então, ao transcrever se transcrever o que está sendo dito, é necessário ter certeza do que se escutou e transcrever os atos de fala de forma adequada. Mas nada disso adiantaria se o psicólogo também não tiver noção de o que significa cada ocorrência que está sendo sinalizada.

Então, não me parece que a simples transcrição de palavras seja o suficiente para uma análise detalhada por parte do psicoterapeuta, mas a interpretação de ocorrências como hesitações, mudança de discurso, autocensura, que pode transparecer na fala que é uma produção instantânea de um significado e um significante.

Oralidade versus textualidade

Assim é a comunicação oral, muito mais antiga que a escrita. A escrita tem apenas 5 mil anos desde que surgiu, enquanto a fala tem muito mais presença na história da humanidade, talvez remontando aos primeiros grunhidos e à evolução dos seres humanos até o estágio atual, desde os primeiros prováveis “uga-buga” até a refinada manifestação da linguagem de hoje. A comunicação visual proporcionada pela escrita oferece oportunidades únicas (seja por ideogramas ou até mesmo hieróglifos).

A capacidade de ler nos permite acumular conhecimento ao se permitir pausa para reflexão sobre o que se lê, retomando o mesmo parágrafo várias vezes, ao mesmo tempo que a linguagem estruturada permite ao autor recortar e, ao colar palavras, coloca-las com elegância seu pensamento à disposição de outras pessoas.

Para isso, a transcrição de psicoterapia é uma mão dupla, com ajustes necessários do transcritor com relação ao ato de registrar a fala, com o psicoterapeuta interpretando corretamente a sinalização adequadamente deixada pelo transcritor.

Há trabalhos em que o diabo mora no detalhe e o detalhe é tudo.

Conclusão

O transcritor não é psicólogo ou psicoterapeuta, portanto na medida do possível, na minha opinião, talvez seja questionável o transcritor inverter palavras, ou trocá-las, ou ainda deixar de registrar certas ocorrências, assim como é questionável o psicoterapeuta que recebe a transcrição não ter noção do que significam as sinalizações disponibilizadas pelo transcritor. Enfim, por hoje é só.

É onde me questionei se o anúncio transcrição de sessão de psicoterapia contemplava essa visão de mão dupla.

Links úteis sobre Lacan

http://www.zahar.com.br/autor/jacques-lacan

https://www.estantevirtual.com.br/autor/jacques-lacan

About the author:

Web aprendiz. Iniciou-se em 2012 na internet em busca de conhecimento. Desde então se encantou com transcrição de áudio.
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