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2016-04-16
diário de um transcritor cadê o cliente?

Diário de um transcritor 09, e o cliente?

Diário de um transcritor 09 trata do desafio de conseguir clientes pela internet. Existe uma geração que está totalmente integrada nas coisas da web e não tem receio em comprar serviços e produtos, embora saibam que podem existir a possibilidade de serem enganados. Os primeiros clientes vem do contato que chamo de frio. Eles entram em seu site e se encantam ou a abandonam. Se se encantarem, pronto.

Oba, paguei a anuidade do domínio, com o dinheiro que não tinha contratei um serviço de hospedagem e então vou começar a trabalhar com a internet. Já fiz um site bem chamativo. Olhei, bisbilhotei e xeretei um monte de sites de transcrição e eu tenho certeza de que o meu vai agradar. Escolhi um template que consigo mexer e então vou nessa.

Muitos transcritores abrem um blog lá e deixa por anos a fio sem mudar layout, com desenhos e traços antigos. O meu próprio foi motivo de chacota de uma pessoa que depois veio a se tornar uma parceira. Achava que com aquele design antigo estava desativado. Naquela época os posts não apareciam com data. Fiquei meio chateado com isso, mas tomei coragem algum tempo depois e mudei de design. Outro dia eu falo sobre isso, mudança de design.

Primeiro dia.

Nada.

Segundo dia.

Nada.

Terceiro dia.

Nada.

Quarto dia.

Parece peixe. Nada.

Primeira semana… Segunda semana… Terceira semana…

Um mês e nada? Mas o que acontece com meu site?

Quarta semana…

Oba, um e-mail. Deixa eu ver. Ah, é candidato a transcritor. Nossa, se ele soubesse… estou é na pindaíba. Ainda bem que fiz alguns amigos e sempre pinta alguma coisa. Senão, roça! Mas, por que será que não entra cliente em contato?

Um dos grandes contratos que eu fechei era algo como 300 reais por mês durante quase um ano. Lá em 2013 acho que o preço de um jornal era 2,50 reais e de domingo era 3 reais. Alguma coisa dessa ordem. Cobrava por minuto o equivalente a 1,00 real e assim fui construindo uma carteira de clientes.

Diário de um transcritor 09, torcendo para não vir mais orçamento.

Oba, hoje apareceu um projeto. Gente, é de um médico que faz aula de medicina de família. Muito famoso no meio acadêmico, titular de uma prestigiosa faculdade. Ele fala muito tá-tá-tá. As gravações dele são meio ruins mas tem muito conteúdo. Fiquei muito feliz porque falava sobre outros países, como funcionava a estrutura de saúde na Inglaterra, Holanda e Dinamarca, assim como no Canadá. Fala bastante do SUS, Sistema Único de Saúde. E ele topou pagar 100 reais a hora transcrita! Oba!

De fato este caso é verídico. Era um caso complicado pois havia perguntas dos participantes que nem sempre eram audíveis. Ficava 10 a 12 horas para fazer uma hora de transcrição em certos trechos repetidamente e era exaustivo. Ficava bem alerta, revisei uma depois duas vezes antes de mandar. Ele ficou satisfeito com o meu trabalho.

Outro orçamento? Não posso perder!

Parece que a sorte sorriu para mim. Ainda bem que o doutor me deu vários dias para terminar o projeto. Entrou outro pequeno, vou cobrar um pouco menos pois vai ser rápido. Ei, entrou mais um. Que enrascada. Estou trabalhando demais. Ainda bem que os outros são bem fáceis e rápidos. Não acredito, é mais um. Vou começar a terceirizar porque senão eu não venço.

Terceirizar ou não terceirizar? Essa era a questão. Sofri muito com a terceirização, os transcritores entregavam trabalho sem revisar e geralmente entregavam material tão mal transcrito que comecei a pensar como melhorar isso. Será que repassar e pagar a mais melhora?

Vou pagar e repassar o máximo. Tenho certeza de que serei um ótimo parceiro. Vou fazer essa proposta para os meus parceiros. Vou também formar um grupo. Com o que repasso, com certeza serei uma empresa moderna e deixarei para trás esses que pagam bem menos do que eu. Formaremos uma comunidade forte.

Ainda acredito nisso, mas hoje pago por performance. Nosso sistema de pagamento privilegia o número de vezes que não tenho que intervir em uma transcrição. Assim, consegui alinhar melhor. Estar aberto à socialização e formação de um grupo forte de pessoas compromissadas é um desafio que ainda hoje tento resolver. O dilema é que as pessoas nem sempre se alinham com as políticas, e uma transcrição de áudio é como uma impressão digital. Mais ou menos, por mais que se padronize, existem características de estilo únicas.

Diário de um transcritor 09, muitas decepções.

Talvez possa ser uma ingenuidade teimosa, mas desejo ter por perto pessoas que pensam como eu, mas que não estão dispostas a se arriscar em busca de novos horizontes, com medo de calote e tudo o mais. A insegurança é grande, afinal de contas quem é que garante que o cliente vai pagar?

Mas talvez a maior pergunta é se o transcritor que trabalha com você não tem aquele quê de inveja, olho gordo, ou ainda seja até desonesto ao ponto de declarar que revisou o trabalho e não fez o serviço direito. Chego a conclusão de que não são os maus clientes que trazem o maior prejuízo, mas os maus colaboradores. Tem gente que vira bicho quando vê 100 reais. Não sei o que acontece. Quer saber? Tive muito mais prejuízo com transcritor safado do que com clientes.

Diário de um transcritor 09, alguma esperança.

Estou feliz porque apesar de várias cabeçadas, algumas pessoas sempre voltam a entrar em contato conosco, mesmo pessoas que conheci no começo de carreira. Mas meu jeito de transcrever mudou muito e muitas acabam por não se adaptar ao nosso jeito. Acabam se desalinhando e quando peço para lerem algum material didático que disponho, não consigo sucesso.

Isso é verdade. Jerry tem razão. Mas digo uma coisa, existe a tal da seleção natural também nesta profissão. Acredito que 5 por cento das pessoas não tem jeito, falta estrutura educacional ou cultural ou comportamental. Descarte de imediato. São pessoas que ao pedir serviço, mandam apenas um e-mail com assunto “Pedido de emprego” e só escrevem “preciso trabalhar”. Outros sabem tanto que não adianta querer ensinar. Os 90 por cento podem ser pessoas ensináveis, mas aí tem que se ter força de vontade.

Diário de um transcritor 09, estatísticas do sucesso.

Tenho um WhatsApp onde atendo todos que me procuram. Ninguém fica sem resposta. Só se for acidentalmente, na correria do dia a dia acabo por deixar para depois, aí a pessoa se magoa e nem tchum. Tanto clientes quanto transcritores, ou candidatos, mandam mensagem fora do horário comercial.

A cada 10 contatos, 7 são transcritores iniciantes procurando serviço. De cada 10 contatos de transcritores, 7 sequer seguem orientações que a gente dá. De cada 10 que seguem as orientações, 7 não as leem direito e fracassam no teste.

Dessa maneira, a cada 100 contatos, 30 seguem instruções, desses 30 sobram 9 que fazem a prova e desses nove 3 chegam a um resultado razoável. Dos 3 apenas um consegue fazer o teste bem feito e a gente percebe que prestou atenção em tudo o que foi passado. E a cada dois que fazem testes bem feitos, um deles percebemos que vai se rebelar. Das que não se rebelam, essas são as pessoas que você precisará por perto. Portanto, a cada 100 candidatos, apenas meio candidato dessa leva preenche os requisitos desejáveis para desenvolver a carreira de transcritor. Quisera fosse diferente.

About the author:

Web aprendiz. Iniciou-se em 2012 na internet em busca de conhecimento. Desde então se encantou com transcrição de áudio.
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