TRANSCRICOES.com.br - WhatsApp ou Telegram (11) 94844-3344 - contato@transcricoes.com.br

Transcricoes
Transcricoes

Você está aqui: / O uso de entrevista observação e videogravação em pesquisa qualitativa
2014-11-10
Pesquisa qualitativa

De vez em quando nos deparamos com algum artigo interessante sobre como realizar entrevistas de campo e as recomendações sobre transcrição. O texto “O uso de entrevista observação e videogravação em pesquisa qualitativa” (clique para download).

Introdução

Os principais trechos estão comentados por nós, que transcrevemos muitas entrevistas dos mais diversos tipos e áreas acadêmicas, em diferentes níveis, desde trabalhos escolares até dissertações de doutorado.

Nossos comentários para cada frase estarão limitadas à operacionalização técnica, tanto do equipamento quanto na feitura da transcrição do áudio.

As áreas copiadas estão entre aspas.

A importância do teste piloto

Na elaboração e preparação das entrevistas os testes são fundamentais. Desde a parte operacional (a segurança de manuseio do gravador para obtenção da melhor qualidade possível na reprodução sonora). A maioria dos celulares hoje pode ser utilizada como gravador, o que é ótimo. Entretanto, a presença de um gravador de boa qualidade é recomendada. O celular deve apenas ser o recurso de reserva (grave com os dois aparelhos, já presenciamos casos de derramamento de café sobre o gravador que comprometeu a entrevista, que foi muito difícil de ser agendada).

Levar baterias ou pilhas de reserva ou ainda o recarregador de celular é uma boa ideia.

A distância recomendada fortemente entre o gravador e o entrevistado deve ser de aproximadamente 1 braço de comprimento (pessoas com 1,50 têm braços com cerca de 65 centímetros de comprimento entre o ombro e a ponta do dedo intermediário, pessoas com 1,75 têm cerca de 75 centímetros).

“Para Triviños (1987), Manzini (1991), Rea e Parker (2000) o pré-teste, ou estudo piloto, também permite verificar a estrutura e a clareza do roteiro, por meio de uma entrevista preliminar com pessoas que possuam características semelhantes a da população alvo. É indicado o uso de gravador na realização de entrevistas para que seja ampliado o poder de registro e captação de elementos de comunicação de extrema importância, pausas de reflexão, dúvidas ou entonação da voz, aprimorando a  compreensão da narrativa (SCHRAIBER, 1995).

“Autores como Patton (1990) e Rojas (1999) concordam com esta indicação, pois o gravador preserva o conteúdo original e aumenta a acurácia dos dados coletados. Registra palavras, silêncios, vacilações e mudanças no tom de voz, além de permitir maior atenção ao entrevistado. No entanto, antes da gravação, ressaltam a importância do domínio desta tecnologia, sugerindo o teste da bateria, do volume e do funcionamento do aparelho. A aquisição antecipada das fitas cassete e numeração de sua seqüência, assim como a identificação de locais livres de ruídos e de interrupções também são cuidados importantes.”

O bom entrevistador

Já presenciamos entrevistadores terceirizados (ou seja, o pesquisador principal, por algum motivo, teve que delegar a feitura da entrevista a terceiros) e neste caso a diferença da entrevista era gritante. Enquanto as entrevistas com o pesquisador-autor assumiam características profundas, as gravações geradas por terceiros normalmente eram de qualidade inferior no tocante à profundidade e ao domínio do assunto, assim como nas nuances das perguntas complementares decorrentes das respostas dos entrevistados.

Outra característica interessante foi a posição que alguns pesquisadores assumiam, de superioridade em relação ao entrevistado, ao ponto de questionarem se aquela entrevista foi útil para o entrevistado tomar conhecimento das técnicas apresentadas durante a entrevista que supostamente ordenariam o processo prático de acordo com a teoria.

O entrevistador-pesquisador está ali presente para aprender, não para arrotar conhecimento acadêmico. Um horror.

Alguns tipos de entrevistadores são irritantes: o “eco-entrevistador” (aquele que parece um papagaio, repete o que o entrevistado fala), “entrevistador uhum-aham”, “entrevistador é mesmo”, “entrevistador eu sou mais eu” (esse que citamos, o arrotador), “entrevistador perdido” (o terceirzado), “entrevistador autorresponder” (o que quer responder à própria pergunta antes do entrevistado, acabando por induzir a resposta e mudando os caminhos naturais pelas quais as respostas chegariam), “entrevistador comentarista” (parece comentarista de futebol, deixa de narrar o jogo para comentar sobre jogadas passadas ou até mesmo sobre a Copa de 1970, de jogadores que já faleceram) e o “entrevistador eu-não-consigo-ficar-quieto” (interrompe o entrevistado a toda hora). Entrevistadores desse tipo devem estar atentos pois podem acabar interferindo com suas opiniões na pesquisa qualitativa.

Sabemos quando um entrevistador é um ótimo pesquisador. Os demais são medianos ou desastrosos. Enfim, o artigo diz o seguinte em relação aos bons entrevistadores.

“Um bom entrevistador é aquele que sabe ouvir, mas ouvir de forma ativa, demonstrando ao entrevistado que está interessado em sua fala, em suas emoções, realizando novos questionamentos, confirmando com gestos que o ouve atentamente e que quer compreender suas palavras, mas sem influenciar seu discurso. Ele aprofunda o relato do participante e mostra atenção sobre detalhes importantes.”

Diferentes níveis entre o entrevistado e o pesquisador e as expectativas do primeiro

Já o parágrafo abaixo merece comentários. Sim, muitas vezes o entrevistado (nunca foi entrevistado, participou de pesquisa), principalmente as almas mais simples, tem anseios e desejos reprimidos. Isso ocorre principalmente com entrevistados mais simplórios, que esperam que a entrevista, principalmente sobre condições de trabalho, vão interferir positivamente ou negativamente no seu dia a dia. É algum receio que as pessoas tem, principalmente no criticar. Frase típica, “ah, aqui tá tudo bom”.

Outros, ao serem perguntados como enxergam a si próprios no dia a dia do trabalho, se enxergam ou declaram se enxergar como profissionais “mais que perfeitos do subjetivo”. O lance legal é perguntar como a pessoa enxerga os outros profissionais ou colegas de trabalho, parece se obter mais sinceridade.

“Além de ouvir, o pesquisador precisa ficar atento às expressões utilizadas pelo entrevistado, pois ele pode simular palavras e conceitos que não são utilizados no seu dia a dia, tentando mostrar aquilo que ele acha que o entrevistador quer ouvir. É por isto que nem tudo deve ser entendido como verdade, mas pode e deve ser analisado frente aos demais discursos e conceitos que embasam o trabalho (MAGNANI, 1986).”

Despedidas e agradecimentos, permissível de cortes

Finalmente, transcrevemos essa parte descrita abaixo como ((despedidas e agradecimentos)) às vezes se se alonga muito essa parte, descrevemos como ((amenidades, despedidas e agradecimentos)). O que significa que o transcritor cortou algo do conteúdo, devidamente certificado, indicado honestamente. Em uma pesquisa qualitativa as despedidas são irrelevantes normalmente.

“Terminada a entrevista o pesquisador agradece o recebimento das informações e se coloca à disposição para esclarecimento de dúvidas ou recebimento de sugestões. Posteriormente realiza a transcrição, de preferência em ambiente silencioso e distante da circulação de outras pessoas.”

Transcrição de entrevistas

Muitas vezes a transcrição não pode ser feita pelo próprio pesquisador pois é atividade monótona, cansativa e quem não tem técnica apurada leva o dobro ou triplo do tempo para fazer o que um transcritor experimentado produziria. Existem regras para bem transcrever, assim como software próprio para transcrição e recursos que se levam meses para assimilar.

Mas nada disso isenta o pesquisador de ouvir novamente a gravação e acompanhar a leitura da transcrição. Neste momento existem palavras-chaves e conceitos-chaves que necessitam ser avaliadas pelo responsável do trabalho ou da dissertação. O transcritor por desconhecimento ou falta de experiência ou ainda familiaridade com o assunto tratado, pode cometer erros. E aí está o valor de um bom profissional de transcrição, apresentar um trabalho com a menor quantidade de erros possíveis.

“É aconselhável que a transcrição seja realizada pelo próprio pesquisador. Ele ouve várias vezes cada fita e escreve tudo, inclusive pausas e mudanças de entonação de voz, além de sinalizadores de interrogação, silabação e outras variações ocorridas na entrevista (PRETTI; URBANO, 1988). Se por acaso a transcrição for delegada a colaboradores, sugere-se a supervisão direta do autor da pesquisa. Deve-se analisar o material transcrito, as palavras e comportamentos não-verbais, como risos, choros, diferenças na entonação da voz, gestos que foram registrados, etc. As expressões e erros gramaticais devem ser eliminados na transcrição, para que não haja constrangimento do entrevistado, caso seja necessário lhe apresentar o texto para apreciação (LAGE, 2001).”

As diferenças de entonação de voz normalmente não são registradas pelo transcritor. Ocorrências como ((riso)) ((acha graça)) ou ((risos)), ((choro)), ((silêncio)) para pausas maiores que 1 segundo, ou … para pausas breves indicam estados emocionais fundamentais de serem transcritas. Consideramos erro grave uma transcrição deixar de sinalizar ocorrências não-verbais.

Terminada a revisão da transcrição, finalmente se passa à análise do conteúdo das entrevistas.

Conclusão

Uma pesquisa qualitativa requer a transcrição das entrevistas, que é fonte secundária de dados.

Transcrição de áudio requer paciência, disposição, conhecimento técnico específico de softwares, amplos conhecimentos gerais e principalmente disposição em pesquisar termos desconhecidos. Nomes complexos como Heljmslev ou Bakunin, europeus nórdicos e caucasianos, principalmente russos, ou ainda latinos como franceses e italianos, ou orientais, personalidades famosas, requerem pesquisa, e nisso constitui também o diferencial da revisão do pesquisador.

“Após a transcrição das informações, inicia-se a análise dos dados. A forma de tratamento mais utilizada é a Análise de Conteúdo proposta por Bardin (1995). Consiste na leitura detalhada de todo o material transcrito, na identificação de palavras e conjuntos de palavras que tenham sentido para a pesquisa, assim como na classificação em categorias ou temas que tenham semelhança quanto ao critério sintático ou semântico (OLIVEIRA et al, 2003).”

Esperamos ter sido úteis.

About the author:

Web aprendiz. Iniciou-se em 2012 na internet em busca de conhecimento. Desde então se encantou com transcrição de áudio.
Top